Nov 1, 2009

[Para ouvir ao som de Trocando em Miúdos, na versão de Chico Buarque]


Ela acordou com aquela sensação, que ela nunca soube explicar como era, mas sempre sabia que algo ia acontecer. E nunca, nunca, em todos esse anos, foi algo bom. E mesmo assim, mesmo sabendo como ele estava, ela resolveu ignorar o aviso que ela recebera talvez, quem sabe, antes mesmo de acordar. E foi.

Em menos de cinco minutos, eram só lágrimas, questionamentos, arrependimentos. Nem ela sabe como ela aguentou guardar tudo aquilo para ela e só para ela. E ficou quieta e dormiu, por horas e horas, mas um sono leve, ao menor barulho ela acordava - esperando por um telefonema que não vinha.

Rezou. Sentou e rezou; as manchas das lágrimas ainda estão lá, como prova do momento de desespero, misturado com fé e alguma esperança de que tudo melhorasse e que aquela dor fosse embora.


E valia a pena? Depois de tudo isso, depois de tantas e tantas cenas repetidas, em meio à sua conversa particular com Deus, ela se questionou e O questionou. 


Foi tomada por uma coragem e força que ela não fazia idéia que tinha. Foi firme, foi dura, foi clara e objetiva. Direta. E se impôs. E colocou condições. Se ela tinha conseguido fazer tudo isso, sem derramar uma única lágrima, recebera sua resposta. 


Valia a pena, sim. E sua fé foi renovada, mais uma vez and over and over.







Oct 18, 2009

É tão estranho....

Eu sei que você já está melhor e agradeço a Deus por isso. Mas não consigo imaginar a dor que deve ter sido para você. Luíza, te dizer adeus, assim, sem nem ter te conhecido direito e já ter te amado tanto, mesmo à distância, mesmo sem nem ter visto ultrassom, é inexplicável. Sou sua tia e sempre serei; madrinha e irmã também. Dói muito, mas sei que quanto mais eu chorar por você, ficar questionando e gemendo de dor, mais vou te atrapalhar.

Não, não. Acredito e sei que você veio e passou tão pouco tempo porque tinha uma missão muito curta aqui com a gente, por diversos motivos, tocando o coração de cada um de maneira diferente, afetando-nos completamente e, ao mesmo tempo, deixou para cada um, uma lição, uma mensagem. O que estivéssemos ou ainda estejamos aprender com a chegada de um bebê em nossas vidas. Em tão pouco tempo, você nos deu grandes aulas, Lu. Eu, pelo menos, refleti bastante, o tempo inteiro, desde que recebi a notícia da sua vinda até a sua partida desta vida.

Sua missão foi cumprida, não tenho dúvidas. Sensibilizou corações de pedra e que nos causavam pânico; uniu ainda mais papai e mamãe, que sentem sua falta, mas estão buscando a paz em Deus; eu, sua tia/madrinha/irmã/amiga, bom...eu choro. 

Sinto a sua falta de uma maneira estranha, como se você fosse minha filha e estivesse na minha barriga. Acho que você quis me dizer que estou pronta para ser mãe - ou que ainda não estou.

Do jeito que as coisas andam, Lulu, melhor que eu não seja, por enquanto. "Tudo anda tão complicado...", sabe?


Te amo. Nós te amamos. E só agora consegui escrever e me despedir de você. Protege teu painho, tua mãinha e tua família aí de cima, meu anjinho. Eles estão precisando de muita força e fé agora.

Aug 8, 2009

Eu tenho andado assustado com a atual crise no Congresso Nacional (atos secretos no Senado e farra das passagens na Câmara)! Não que eu fosse ingênuo a ponto de achar que todos os políticos fossem honestos ou mesmo que eu tivesse alguma esperança que 10% deles deixassem de correr em caso de alguém gritar: "Pega ladrão"! O que tem me tirado o sono (literalmente alguns dias!) é o fato de que a população toda está aceitando a situação com a maior naturalidade do mundo...

Eu sou um eterno otimista quando se trata da situação brasileira, principalmente no que diz respeito ao progressivo amadurecimento da nossa neófita democracia. Eu tinha certeza de que nós, "os caras-pintadas", seríamos uma resistência consistente, oferecendo alternativas éticas que fossem viáveis para o fortalecimento e a perenidade das instituições. Eu vi o impeachment do Collor aos 14 anos, com o orgulho de quem tinha ao seu lado uma nação, um povo que dava um sinal de “basta de desmandos”!

Diante das massivas denúncias de corrupção que vêm nos atropelando durante os últimos anos (com pequenos intervalos de poucos meses, suficientes apenas para que tomemos fôlego!), entretanto, não posso evitar que tal convicção seja estremecida por uma dúvida cada vez mais consistente. Os mesmos canalhas que assustavam o Brasil durante a Ditadura Militar continuam no poder, com uma importância tão grande que não sei dizer se a democracia efetivamente já chegou. Para piorar a situação, hoje eles têm a seu lado as “crias” da prometida democracia, que se deturpou em uma demagogia cada vez mais assustadora!

Parece que estamos todos esperando que as coisas se resolvam por si mesmas, como aquele tipo de pai ou mãe que simplesmente desiste do filho e deixa ele chorar até se cansar... Sendo que, enquanto isso, ele incomoda todos ao redor. Claro que esse "algo" que esperamos é a mídia! Foi ela quem promoveu o movimento do "Fora Collor" e é ela quem tem decidido qual a importância que as denúncias têm desde então. Foi ela também quem transformou um “escândalo menor” em motivo de renúncia de mandato de Renan Calheiros... Ora, vejam só: exatamente este forma com Collor a dupla alagoana que hoje representa a comissão de frente que defende o Senador José Sarney, tudo com o aval explícito do Presidente Lula, que, tendo o Princípio da Separação de Poderes para legitimar a sua pertinente indiferença, preferiu sair em defesa daquele que meses atrás para ele e seu partido era apenas mais um inimigo político na luta pela Presidência do Senado Federal.

Entretanto, não estou culpando a mídia... A mídia é feita pelos homens e seus interesses, sejam estes individuais ou coorporativos. A culpa é da sociedade como um todo: ONG´s; todas as classes sociais; (pseudo)intelectuais; escritores; empresários; esportistas; artistas; estudantes; acadêmicos etc. Alguns músicos (Caetano Veloso, Chico Buarque e companhia) são considerados como baluartes da luta contra o Regime Militar e agora, quando não existe censura, quando não existe opressão, quando a corrupção é a olhos vistos, eles se calam! Não posso evitar pensar que se movem pelo lema: "Desde que me permitam falar, eu não me incomodo de ficar calado"!

Os escritores não são melhores! A Academia Brasileira de Letras, onde supostamente deveriam estar concentrados os grandes intelectuais brasileiros, se esconde, não apenas porque faz questão de ser omissa no processo democrático, mas porque o principal acusado da atual crise (José Sarney) é um de seus membros, ocupante da cadeira de número 38, que já foi assento de um dos grandes orgulhos nacionais: Santos Dumont!

Também quero deixar claro que este não é um panfleto político-partidário contra o PMDB ou contra o senhor José Sarney, mas sim contra toda a crise ética que se instalou no Congresso Nacional! Os primeiros atos secretos datam de 1995; a suposta compra de votos da reeleição foi para a eleição de 1998... Quantos escândalos não assistimos calados neste intervalo de 11 anos? Cito apenas o (até agora impune) Mensalão, para explicar o meu ponto de vista. A crise não chegou a agora, ela é atemporal e apartidária, envolvendo todo o processo de escolha dos nossos representantes e os parâmetros de exercício de seus mandatos parlamentares. Toda essa baderna instalada é apenas a gota d’água!

Quer dizer que algum desses políticos realmente quer que acreditemos que ele não via nenhum mal em nomear parentes; pagar assessores que moravam no exterior; adulterar o painel eletrônico do Senado; vender a sua cota de passagens aéreas; morar em imóvel funcional tendo residência em Brasília; pagar passagens aéreas para a namorada ou para um time de futebol? Será que somos tão burros que elegemos como representantes um grupo de sujeitos que têm um conceito moral tão diferente daquele reconhecido pelo senso comum? Será que eles têm a mesma visão ética quando vão educar os seus filhos e netos? Não creio que as respostas a estas perguntas sejam positivas!

Mas este é apenas um desabafo... Eu gostaria de ver a população de novo nas ruas, demonstrando (sem violência de nenhum lado!) que sabe o que está se passando, que não aceitará calada tal descaração, que marcará os responsáveis e que estes nunca mais ocuparão um cargo eletivo. Com certeza este é um sonho: viver num país de memória, onde o povo compreende que os políticos é que deveriam estar submissos ao povo e não o contrário... Um país no qual os eleitos teriam noção da grande responsabilidade que decorre do cargo que ocupam e do compromisso com o desempenho de sua nobre função.

Diante de tudo, porém, a minha sensação de impotência é total! Por via do amigo Rodrigo Sales, me vêm à cabeça as palavras de outro grande orgulho nacional, Rui Barbosa ao dizer que “de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.

Eu não sou um filósofo conhecido, um grande escritor, alguém ligado à mídia ou uma celebridade, que poderia, quem sabe, mobilizar as massas! Eu nem sei o que cada um desses setores citados poderia fazer, mas eu me sentiria bem melhor se soubesse que eles estavam tentando fazer algo... Hoje eu vou dormir tranqüilo por ter começado a fazer a minha pequena parte... Pois, como diria Madre Teresa de Calcutá: "Eu sei que sou uma gota no oceano, mas, sem esta gota, o oceano seria menor"!

Deixo, por fim, um poema escrito em 1964 (coincidência ou não, no ano do Golpe Militar!) pelo fluminense Eduardo Alves da Costa, embora seja freqüente e erroneamente atribuído a Maiakovski:
Na primeira noite eles se aproximam,
Roubam uma flor do nosso jardim e não dizemos nada;Na segunda noite, já não se escondem:
Pisam as flores, matam o cão e não dizemos nada;Até que um dia, o mais frágil deles,
Entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz eConhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta
E já não podemos mais dizer nada!

É um bom momento de sabermos em que passo estamos da submissão... Terão os corruptos e imorais já arrancado a voz de nossa garganta? Ou ainda é tempo de proferirmos nosso grito de insurreição? Com a resposta, cada um de nós!

Carlos Marden Cabral Coutinho
Procurador Federal, Especialista e Mestre em Direito e, hoje, mais um brasileiro ajoelhado aos pés dos ocupantes do Poder.


P.S.: Sugiro aos amigos que escrevam seu próprio texto e o repassem, encaminhem, como o farei, para os membros do Congresso Nacional! Se vocês têm um blog, sigam meu exemplo e lá publiquem algo ou mesmo este texto, o que fica desde logo autorizado. No mais, peço, a quem achar que estas palavras valem alguma coisa, que as encaminhe adiante... Bastam 04 encaminhamentos de 20 pessoas cada, para que 160 mil pessoas recebam uma cópia. Imagine se cada um encaminhar pra cinqüenta pessoas. Talvez alguma autoridade o leia, talvez algum artista influente, talvez a mídia, sei lá... É uma réstia de esperança luminosa em meio à dominante corrupta escuridão!

Template by:
Free Blog Templates